19.7.06

 

Querubim Lapa

Querubim Lapa – Obra Cerâmica

Num país de longa tradição ceramista, de cinco séculos e nunca interrompida no uso do azulejo, a produção de Querubim Lapa entende-se como natural actualização desta arte, não renegando o passado, antes o continuando.

Mas, novas propostas que alguns ceramistas europeus apresentam desde os anos 30, de placas relevadas ou esculturas em baixo-relevo, encontram em Querubim, um cultor persistente, capaz da recriação inovadora de técnicas tradicionais e também do imaginário.

Relevos cerâmicos moldados ou modelados não foram sempre correntes e só esporadicamente a arquitectura portuguesa utilizou azulejos relevados – assim se fez no palácio real de Sintra no início do séc. XVI, com exemplares importados de Sevilha e, já em pleno séc. XIX, com azulejos de padrão para fachada, produzidos por fábricas do norte do país (Gaia), ou na transição para o séc. XX, com Rafael Bordalo Pinheiro, na sua fábrica nas Caldas da Rainha, em motivos fitomórficos e animalistas, dentro de um espírito arte nova.

Novos caminhos se delinearam na cerâmica em Portugal nos anos 40, principalmente com Jorge Barradas, modernista, artista que trabalhou em atelier próprio na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, em Lisboa, até à sua morte em 1971. Graças a ele, muitos ceramistas por aí passaram, como seus colaboradores, outros aí adquiriram também direito de atelier, como Manuel Cargaleiro, Querubim Lapa e Cecília de Sousa. Jorge Barradas é uma referência para uma nova geração de ceramistas surgidos na década de 50, dado ter dignificado e actualizado a linguagem cerâmica.

É depois pelo desenvolvimento técnico e formal que Querubim Lapa estabelece a continuidade na cerâmica em Portugal. As grandes composições integradas na arquitectura assim como os azulejos de padrão para produção industrial, constituirão o núcleo da obra de Querubim.

Ainda na mesma década, Querubim Lapa criou também objectos ornamentais, como pratos, jarras, porta-ovos – sempre com alusões à figura humana, de irónicos sentidos. Tendo criado uma loja própria, integrou aí de forma pioneira cerâmicas ornamentais na sua decoração e chamou artistas plásticos a produzir objectos funcionais que comercializava.

Na década seguinte, objectos e placas remetem para o imaginário que Querubim desenvolve em paralelo na pintura, híbridas varinas entre o humano e o animal, representações de pássaros de rosto humano, cabeças de mulher metamorfoseando-se em caracol, num alongamento de formas e volumes de intenção expressionista.

Contudo, foi na produção de obras cerâmicas para espaços urbanos em articulação concertada com os autores dos projectos arquitectónicos que Querubim criou notáveis decorações. Nos revestimentos de cerâmica arquitectónica, as placas cerâmicas apresentam formato quadrangular simples, de superfície lisa, com expressiva pintura decorativa, ou animada pelo relevo regular das arestas salientes, definindo a composição e separando aglomerações de esmaltes e pigmentos cromáticos deslumbrantes. Outras placas são irregulares e inteiramente relevadas, encontrando-se por vezes ressonâncias das faianças de Rafael de Bordalo Pinheiro, pelas quais Querubim tem um apreço especial.


BIBLIOGRAFIA

Querubim,Obra Cerâmica (1954-1994) – Lisboa Capital Europeia da Cultura 94. Museu Nacional do Azulejo

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