16.8.08

 

Poema com sabor a Mar


Poema da malta das naus

Lancei ao mar um madeiro,

espetei-lhe um pau e um lençol.

Com palpite marinheiro

medi a altura do sol.



Deu-me o vento de feição,

levou-me ao cabo do mundo.

Pelote de vagabundo,

rebotalho de gibão.



Dormi no dorso das vagas,

pasmei na orla das praias,

arreneguei, roguei pragas,

mordi peloiros e zagaias.



Chamusquei o pêlo hirsuto,

tive o corpo em chagas vivas,

estalaram-me as gengivas,

apodreci de escorbuto.



Com a mão direita benzi-me,

com a direita esganei.

Mil vezes no chão, bati-me,

outras mil me levantei.



Meu riso de dentes podres

ecoou nas sete partidas.

Fundei cidades e vidas,

rompi as arcas e os odres.



Tremi no escuro da selva,

alambique de suores.

Estendi na areia e na relva

mulheres de todas as cores.



Moldei as chaves do mundo

a que outros chamaram seu,

mas quem mergulhou no fundo

Do sonho, esse, fui eu.



O meu sabor é diferente.

Provo-me e saibo-me a sal.

Não se nasce impunemente

nas praias de Portugal


António Gedeão

Comments:
Teseza,

Bom Natal e Um Ano Novo Próspero em Realizações !!!

Abraços

Hanah
 
Lindíssimo poema de António Gedeão..

Já estou a seguir-te!

Bjs
CR/de
 
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